terça-feira, 29 de abril de 2014

DISCURSO DE POSSE DA NOVA DIRETORIA DO SINPOL
Exmº Sr _____________, Exmº Sr _____________, Exmº Sr _____________, Exmº Sr _____________, Exmº Sr _____________, senhoras e senhores policiais, queridos familiares, estimados amigos.
Finalmente, aqui chegamos. Depois de uma longa jornada, o Sinpol/DF agora retorna a seus legítimos proprietários: os policiais civis.
Há um ano e meio, um pequeno grupo de sonhadores resolveu desafiar o status quo. E decidiu que era necessário mudar os paradigmas do sindicalismo policial da Capital Federal.
Nosso sindicato, outrora forte e combativo, sucumbiu às influências perniciosas da política partidária e aos interesses eleitoreiros de ocasião. O declínio da nossa entidade disseminou entre os policiais o descrédito, a apatia e a desunião.
Com muito planejamento, união e, acima de tudo, muita força de vontade, lutando contra um adversário poderoso, este pequeno grupo conseguiu resgatar um pouco da esperança perdida. Aos poucos, nossa voz ganhou eco e nosso corpo, musculatura.
Nascia o Movimento EPAS/PCDF, que tomou conta das redes sociais e dos corredores da polícia. Um precioso canal de comunicação surgiu e toda a insatisfação acumulada transformou-se em um novo espírito de luta. A batalha foi vencida. Lutamos por isso e não fugiremos à responsabilidade.
O bastão do Movimento, antes conduzido por esse grupo, foi repassado a novas lideranças. Rogamos a todos para que, sempre atentos, prossigam fiscalizando seus representantes e apontando novos caminhos.
Como diz um grande sindicalista, meu amigo e diretor Fernando Ferreira, um sindicato existe para lutar e defender seus filiados, os trabalhadores. Se não serve para isso, melhor fechar as portas. 
Complemento dizendo que devemos buscar sempre o diálogo franco, sincero, conduzindo os interesses coletivos com absoluta transparência. A forma como seremos tratados por nossos interlocutores, dará a tônica de nossa resposta.
Durante a campanha, nossa proposta de trabalho baseou-se em 3 grandes eixos, que iremos implementar enquanto Diretoria.
O primeiro, de âmbito interno, tem a ver com a publicidade e transparência dos atos e contratos da entidade, e com uma gestão compartilhada na tomada de decisões.
Há um grande anseio da categoria em saber como são geridas as finanças de nossa entidade sindical, que possui uma arrecadação superior a muitos municípios do nosso país. Como são realizados os contratos? Quem e quantas são as pessoas atendidas por estes contratos? Qual a qualidade dos serviços prestados? Por outro lado, os policiais se ressentem com o modo pelo qual são alijados das decisões que envolvem assuntos vitais para a categoria policial. Até então, a entidade eximia-se de fomentar o engajamento e a discussão entre a sua base. Ao seu próprio talante, assumia posições públicas sobre temas bastante sensíveis, sem realiza qualquer tipo de consulta a seus filiados. Nesse particular, traremos grandes inovações. Relatórios e demonstrativos serão divulgados nos meios eletrônicos, com acesso restrito aos sindicalizados. E as decisões fundamentais, sempre que possível, serão discutidas exaustivamente pela categoria. Faremos valer a democracia.
O segundo eixo, de maior incidência no âmbito externo, diz respeito a uma gestão independente de interferências político-partidárias e centrada numa forte atuação legislativa, pautada preferencialmente por critérios técnicos e amplo respaldo jurídico.
O terceiro será a luta pela redefinição das atribuições dos cargos da instituição, para que se tornem compatíveis com a qualificação de nível superior de que desfrutam. Esse tema é vital para o bom funcionamento da nossa gloriosa PCDF. É preciso que todos percebam isso, principalmente os nossos gestores. É preciso voltar os nossos olhos para dentro. Algo não está bem, a insatisfação permeia nosso ambiente de trabalho e isso não passa somente pela defasagem salarial ou pela falta crônica de efetivo. Queremos a valorização do trabalho policial por excelência. QUEREMOS UMA POLÍCIA PARA POLICIAIS.
Um outro ponto importante a ser lembrado é que ficou muito claro ao longo dos últimos anos o quanto a atuação sindical conduzida sempre por um viés político traz prejuízos aos legítimos pleitos da nossa categoria. A própria imagem da instituição Polícia Civil foi maculada por disputas internas e pela ingerência constante da política local. De maneira que este tema deve ser objeto de reflexão para que possamos repensar o futuro da nossa instituição. Somos um órgão de Estado e devemos, de maneira republicana, servir aos interesses da sociedade, e não aos caprichos de pequenos grupos ou partidos.
O fato de sermos uma gestão apartidária não implica a falta de diálogo com as mais diversas tendências políticas, seja no executivo ou legislativo. O que jamais irá acontecer, nessa gestão, é sermos conduzidos por um único político ou partido, que tente fazer dos policiais civis o seu "curral eleitoral". Terão nosso apoio e gratidão todos aqueles que encamparem os nossos pleitos, e os nossos pleitos apontam para uma Segurança Pública de qualidade, uma Polícia reconhecida, valorizada e respeitada pela comunidade.
Hoje estamos muito voltados para um modelo gerencial de metas e estatísticas, perdendo-se o foco das grandes investigações. Estamos mais preocupados com quantidade do que com qualidade. E este modelo, que muitas vezes produz resultados enganosos, tem negligenciado algumas questões importantes, como a própria vocação e realização profissional do policial, que não é um funcionário público qualquer, mas um indivíduo que exerce um sacerdócio, um trabalho árduo e difícil, e perigoso, que se move por ideais e não se contenta apenas em atingir metas e aumentar o número de procedimentos, mas em salvar vidas, em resguardar o patrimônio, em manter a paz social e defender a sociedade de seus mal-feitores.
No afã de atender as necessidades da mídia e de bater recordes oficiais, nossos policiais tem deixado de estar nas ruas, tem deixado de realizar treinamentos e atualizações, tem deixado de prestar um melhor apoio aos demais colegas, negligenciando até a comunicação nas investigações. Essa falta de interação e a busca desenfreada por metas torna os policiais mais competitivos entre si e, por consequência, mais individualista. Esquecemos que o trabalho policial é essencialmente um trabalho em equipe e que a vida de cada policial está nas mãos de seus colegas.
É preciso ainda que deixemos de cumprir funções que não são nossas, a exemplo das rondas ostensivas e barreiras policiais. Nossa atividade-fim, de polícia investigativa e polícia judiciária, deve ser incentivada, valorizada, exaltada no âmbito interno e externo.
Nossa vocação é constitucional e dela não podemos nos apartar, sob pena de outros dela se apropriarem, como já vem acontecendo.
E é importante frisar que este papel constitucional é exercido não só por um dos cargos da PCDF, mas por todos os 7 cargos que compõem nossa estrutura. Cada um deles tem seu papel preponderante no desenvolvimento de nossa atividade fundamental, qual seja, a de esclarecer a materialidade e apontar a autoria dos crimes.
A redefinição das atribuições de cada cargo, que significa a normatização das atividades que de fato já são realizadas, irá apaziguar o ambiente interno, trazer segurança, criar estabilidade, ampliar a confiança nas relações de trabalho.
O hiato salarial entre os diversos cargos também causa desconforto e a diminuição ou supressão dessa diferença precisa ser discutida e implementada. Não há motivos plausíveis para a chamada "trava salarial", que impede outras carreiras de galgarem melhores subsídios. Somos todos cargos de nível superior, cada um com sua respectiva atribuição.
Outro fator importante que precisa ser implementado no âmbito da instituição é o concurso de remoção com critérios objetivos, com vistas a dar garantias ao servidor. Devemos encerrar esse capítulo da nossa história, no qual permutas e remoções ocorrem como forma de punição "branca" ou decorrem das idiossincrasias de um chefe momentâneo. Isso contraria os princípios mais elementares da administração pública e não será tolerado.
Em breve, cerca de 1.200 policiais deverão tomar posse. Vamos dar oportunidade para que os colegas mais antigos na instituição procurem sua lotação de preferência, utilizando-se critérios relevantes como experiência e qualificação profissionais. É uma forma de valorizá-los.
Aguardamos ansiosamente a chegada dos novos policiais civis e desejamos que todos entrem o mais rápido possível. Entretanto, é preciso prepará-los de forma adequada. A capacitação continuada em técnicas de abordagem, estudo de casos e cumprimento de mandados os deixará mais preparados do que apenas as aulas de armamento e tiro , TIP, que, diga-se de passagem, são ministradas por excelentes instrutores. A formação dos novos policiais também deve priorizar ao máximo as disciplinas que envolvem técnicas e doutrinas de investigação criminal. Esse é cerne do nosso trabalho.
Portanto, alertamos novamente que não basta a quantidade e sim a qualidade. Nossa função é de risco, de alta complexidade técnica e isso precisa ser repassado aos que chegam.
De nada adianta, porém, nomear vários policiais e, na sequência, inaugurar diversas Delegacias, pois a cada nova unidade criada, um bom número de policiais é desviado para serviços administrativos. Concordamos que há demanda. Entretanto, essas inaugurações nos levariam para o mesmo quadro vivido hoje, uma vez que, em razão dos baixos salários e a falta de perspectiva na carreira, muitos recém admitidos acabam pedindo exoneração e ingressando em outras carreiras mais atrativas.
Rogamos ainda a nossos gestores que tenham maior atenção a saúde física e mental dos policiais. Muitos de nós têm respondido por 2 ou 3 unidades. A sobrecarga de trabalho é brutal nas seções de investigações. Pilhas e pilhas de procedimento se acumulam. Cada um tem se sacrificado enormemente e muitos têm cumprido escalas em operações e plantões de outras unidades. Todo este sacrifício tem produzido efeitos psíquicos e somáticos. É preciso investir em prevenção e o Sinpol se colocará a disposição para buscar caminhos.
Portanto, sabemos que o desafio é imenso. Mas também é imensa a disposição desta equipe em trabalhar em prol de melhorias para todos. Lutaremos pelo resgate de nossa união e autoestima, com todas nossas forças.
Em nome da Diretoria, agradecemos toda categoria pelos votos de confiança depositados nessa proposta. Lembramos que passadas as eleições agora somos um só sindicato, uma só POLÍCIA.
Agradecemos nossos familiares por este ano em que estivemos privados de um convívio mais pleno. Pedimos mais tolerância pela ausência que porventura teremos nessa nova jornada.
Tenham certeza de que todo este esforço, de que toda esta ausência é muito mais pensando em vocês do que pensando em nós.
Agradecemos a DEUS que nos fez lutar por este ideal e realizou este sonho de poucos em prol de muitos. Pedimos a Ele sabedoria e perseverança na caminhada.
Lembrando a todos que JUNTOS SOMOS FORTES. BOA TARDE.
Brasília, 29 de março de 2014.

Um comentário:

  1. "A única maneira de fazer um trabalho extraordinário é de amares aquilo que fazes. Se ainda não o encontraste, continua a procurar. Não te acomodes. Tal como com os assuntos do coração, tu saberás quando é que o encontraste".
    Steve Jobs

    Feliz Dia do Trabalhador, Luciano, a ti e a todos os teus leitores!

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